sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Barulho Esmaecido

Numa manhã gelada, era abrir a porta, e a neve já formava uma camada espessa despejando melancolia, desobrigando a infeliz tristeza de entrar. Havia uma loura olhando pela janela as imagens do jornal arremessado a pouco pelo entregador. Dores e cicatrizes fincavam o pé em diversos pontos da casa. Eu sei como tudo aquilo era possível. Não seriam velhas palavras para descrever o novo. Um silêncio rescendia tinta fresca, e as conversas mudaram a direção e tornavam-se circulares. Chamas incensadas pelo destino de ontem foram apagadas e nasciam outras, destinadas a queimar papel branco, limpo, e de melhor valia. Produto dos momentos que se sucedem, a teconologia ganhou status de desimportância. Reconheciam nela as frustrações de que fora seu despropósito. A cama embalava a todos como se cada passarinho pousasse para oferecer uma visita. A luta entre o bem e o mal não cessaria jamais, é que agora qual fosse o resultado, não seria o lamento que burlaria as regras para vencer novamente. O ouvido foi se aprimorando. Logo, logo , todos ouviriam músicas e só músicas, rocks entremeados por choros, chorinhos e chorões. Não competiam mais a eles explicar nem ao menos serem explicados. É que a razão com todos os seus postulados perdeu a chave de casa e ninguém era doido em avisá-la que estava em cima do armário. Do lado esquerdo de quem não tá nem aí para o que não seja simples amor.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

SUJEIRA

Ele conheceu ela grávida. Longe dela, não sabia se escrevia ou batia punheta. Exercícios impossíveis de uma vez só. Trepavam com volúpia. Jatos de mijo jorravam no rosto. Tinha o prazer de receber aquele líquido quase transparente de cheiro forte. Do mais, era engolir o que podia de porra branca. Gosto gostoso de homem. Com a aquela barriga branca, ela mal cabia no box. Todo o esforço era a garantia de sentir aquele perigoso pau arremessado por seus cabelos, bocas e queixos. Se queixava somente quando ele esquecia de mijar no cu dela. Molhava-se toda. Existia tanto, a ponto de ser um nada junto dele. Só tinham paz alguns minutos após o sexo. Logo, estavam atordoados pelo sentimento de serem moídos e se destruírem mais uma vez. Conhecereram uma outra mulher. Tímida, gostaram de Samanta. Muda, se masturbava como louca vendo o tarado casal. O bebê naquela barriga não recebia máculas. O feto só conhecia aquele tipo de amor. Chegava perto daquele homem e o membro dele ricocheteava, rijo. Assim como a humanidade acredita na lua e nas estrelas eles gozavam do que era sujo. Eram seus brancos mais alvos. A filha tocava piano e o pau dele subia com a música. Aquelas notas eram o "enfant terrible" alcançados em família. Mais sexo, mais gozo.Os outros eram relevantes. Se não traziam para o sexo, mortificavam. Chutavam cabeças daqueles que atrapalhassem qualquer manifestação de tesão. Sem dó nenhuma. Inclusive vó, tia e o cachorro. Os dois, chafurdando em porra, buceta, cu, pau, familia, comida, sujeira. Em nome da devassidão.